quarta-feira, 31 de março de 2010

O Alentejo aqui tão perto IV

O sol começa a deixar nas águas, nesta tarde quente, reflexos que mais parecem
o cintilar prata das perolas da princesa do rio. Apetece-me de novo escrever. Fazer sair neste rio
de águas calmas um rio de palavras que escrevo com lápis da cor da alma.
Olho para lá do horizonte. Lá onde a água se junta ao azul do céu e vagueio
o meu pensamento. Agarro com os olhos a beleza do rio e sonho. Embrenhando-me
na floresta das palavras que correm ao sabor da brisa que subitamente percorreu todo
o navio de lés a lés. Paro a escrita. Deixo o lápis escorregar pela palma da mão e, fixo as
águas. Vislumbro com a ajuda desse céu azul que me apazigua os sentidos várias figuras
no rio. Oiço um cântico de gemidos compassados que vêm subitamente acalmar e
adormecer o medo que paira nos meus sonhos. Caminho agora pelo significado das palavras
do Comandante, e percebo quando ele me dizia para estar atento ao rio. Que beleza...que
encanto...que afago á minha alma. Na minha frente, acompanhando o navio cantando hinos
de louvou ao viajante eles aí...os botos. Com um sorriso do tamanho do rio o Comandante
exalta a minha sorte. Portugues vc vai ter sorte no futuro. Porquê indaguei. Dificilmente
numa primeira vez um passageiro do meu navio avista o boto rosa. Lá estavam eles
saltando no e para o rio. Um deslumbramento. Um espectáculo fantástico e divino.
Voo com eles para um tempo que não conheço. Mas como eles, quero acreditar que no fim
do rio a destino vai marcar o meu tempo.

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