quinta-feira, 29 de julho de 2010

Era Primavera...



Lembras-te?.....era primavera. Os rouxinois cantavam na planicie e a brisa suave anunciava o renovar da vida. Esperei-te sofregamente. O primeiro encontro foi um beijo curto...rápido. Reparei então que os malmequeres do chão davam um ar silvestre aos teus cabelos e bebi da tua boca o perfume do teu sorriso. Coras-te. Foi como um voo de uma borboleta se escondendo nos raios de sol do teu olhar. Depois parámos na falésia a ver e ouvir o mar lamber as rochas e olhamos o horizonte na areia da praia. Sentimos nesse momento vontade de nos embriagar com o sal das ondas que se esbatiam a nossos pés. Senti o calor do teu corpo numa volúpia de sensualidade misturando a saliva nos teus cabelos e deixando-me ficar tempo sem fim com o meu peito a sentir o bater do teu coração. Resolvemos voltar ao hotel e cair entre as flores campestres perfumadas de alecrim. Senti vontade de invadir o teu corpo, de percorrer os recantos da tua pele de misturar os suores dos nossos corpos. Depois deixámo-nos ficar inertes. Olhei-te nos olhos e senti a mesma brisa do mar que nos havia percorrido o rosto horas antes , para depois adormecer submisso á força dos teus gestos. Durante a madrugada voltámos a dar as mãos e percorremos o universo das paixões na busca de novas madrugadas. Fui á janela. Olhei o céu salpicado de estrelas e nas asas do pensamento deixei vaguear a minha imaginação. O teu corpo nú estendido na cama segredava-me fantasias e amor. Era primavera...o cheiro a alegrim ficaria para sempre na nossa memória deixando um sentimento forte...doce de inexplicável prazer.

terça-feira, 27 de julho de 2010

Para ti Rose...minha irmã

Pensei hoje escrever-te uma carta minha irmã. Já o deveria ter feito á mais tempo sei disso, mas mais vale tarde que nunca. Aliás eu acho que chegou o momento certo para o fazer. A vida concedeu-me o desejo de te conhecer. De poder de perto conviver contigo. De poder aprender aquilo que os sentimentos mais puros ensinam quando dar a mão e ser solidário é a mais pura das virtudes. O laço que nos tem unido ao longo destes anos tem permitido te conhecer, te estimar numa palavra te amar. Tens me acompanhado nos bons e maus momentos. Tens conhecido as minhas fraquezas e tens compartilhado das minhas alegrias. Com as tuas relaçõs de afecto pude ganhar ao longo deste tempo a força suficiente para afastar medos e receios e assim me poder expressar de coração aberto para aqueles que amo e estimo. Sempre que a vida me pareceu difícil, sempre que o horizonte me pareceu longe de atingir tu estavas por perto, pronta a ajudar-me estendendo-me a mão quase sempre sem perguntas. Sempre te tenho dito que tens sido a irmã que eu nunca tive, a companheira a confidente. Saber que tenho tido o teu apoio incondicional me transmitiu mais alegria, mais paz interior e me ajudou a cuidar e a tratar o amor de uma forma bem diferente. Você é um exemplo de luta, determinação e espiritualidade para todos aqueles que vivem, lutam e trabalham á tua volta. O teu sorriso contagiante faz-nos sorrir e a tua determinação ajudam-nos a encarar o futuro com a mesma tranquilidade com que tu o encaras. E esse futuro, o futuro que tu dizes estar logo ali ao alcance de um sorriso é para ti o porto seguro de uma nova viagem. Quero...queremos te acompanhar nessa viagem porque sabemos e aprendemos que contigo o mundo não tem fronteiras e a amizade faz-se de actos de amor. Obriagado mana por nos fazeres felizes.

quarta-feira, 21 de julho de 2010

Abrir a porta de novo


Dei três voltas à maldita fechadura, virei as costas e fui embora. Para quê esperar
mais tempo. Arrumei a mala, peguei no casaco, e fui á procura da vida. E como a vida é simples. Olhei o vazio e reparei que ela, a vida, estava mesmo ali ao alcance das minhas mãos. Resolvi dar-lhe mais sabor e segurar a mão de quem me indicava o caminho certo. Era tempo de arriscar, e de me agarrar com sofreguidão ao último sopro de um momento que queria viver intensamente. Sinto que mudei. Mudei na forma de pensar, mudei na forma de encarar os outros, mudei até na forma de respirar. Queria pintar o meu mundo com as cores que eu próprio escolheria, dar mais brilho ao meu arco-irís, ir até ao infinito se para tal fosse preciso, na vertigem do desconhecido, sem receios para encontrar-me com o destino. E o destino obrigou-me a ir quaze ao fim do mundo para encontrar a felicidade, para encontrar o tal sopro de vida. Confiei-lhe os meus medos olhando-a de frente nos olhos. Respirei-lhe sofregamente a alma num desejo incontido de ser ela o objectivo da minha viagem, num insondável mistério que tantas vezes o destino me havia segredado ao ouvido. Tinha as suas mãos nas minhas mãos, a sua pele encostada á minha pele e sentia a sua respiração profunda e o bater descompassado do seu coração. Provei o cheiro salgado do seu corpo quando docemente adormeceu junto a mim. O amor fez-se silêncio. E o silêncio fez-me compreender que a viagem tinha terminado. O meu arco-irís estava ali a meu lado. A vida que procurava para lá do infinito afinal estava mesmo ali ao alcance de um beijo. O ar encheu-se de açucar e eu voltei a colocar a chave na fechadura e a abrir a porta de novo.

domingo, 18 de julho de 2010

Montemor-o-Novo....da janelinha ás Fontainhas


Conhecer Montemor-o-Novo, percorrendo lentamente as suas ruas é como sentir o cheiro das papoilas neste Alentejo de sofrimento e esperança. Nos tortuosos caminhos do velho burgo sentem-se imperceptivelmente os cânticos dos monges e, os odores das receitas das freiras dos velhos conventos. É aqui nas manhãs claras de um sol que acaricía que se descobre a cor singela do casario que o castelo protege. É aqui na serenidade do tempo que marca o quotidiano de gente de mãos cálidas que se constroi o presente e se desafia o futuro. È com o cheiro da manhã e as lágrimas do tempo que subimos ao castelo. Sentem-se solidões antigas em cada carreiro que nos leva ao Palácio dos Alcaides. Fervilham no nosso imaginário os amores e desamores de princesas mouriscas. Só a beleza da paisagem que se vislumbra aqui de cima nos faz voltar á realidade. Descer as escadinhas que nos levam ao Largo das Palmeiras é voltar a sentir essa melodia de luz que em cada passo enebria e seduz. As palmeiras abanam ao sabor do vento acenando ao céu como anjos guardiãs do largo e indicando-nos os caminhos do povoado e a beleza do conjunto arquitectónico. Pedras plantadas no passado que o homem moderno preserva e acarinha. Da Rua Nova ao Parque Urbano onde na serenidade das fontes se fazem juras de amor nas noites de luar até ao raiar da madrugada. Caminhando sob os ramos dos platanos e no silencio de cada passo a Ermida da Senhora da Visitação surge como Cavaleira da Luz perscutando no horizonte os caminhos que terminam no seu regaço. Dali somos obrigados a desocultar odores e aromas certamente vindos das rosas plantadas em seu redor. Montemor lá em baixo fervilha e nós aqui apetece-nos ficar até ao misterioso entardecer dos deuses. O pôr do sol começa a encher a planicíe. E de novo nas ruas que nos levam á baixa da cidade sente-se a primavera nas janelas floridas. A luz do velhos candeiros de metal projectam nas paredes as primeiras sombras de uma noite de lua cheia. Lua que nos espreita serena e luminosa encaminhando-nos aos sabores de mil pratos que a gastronomia alentejana sempre festeja quem a visita. E por fim brindamos com um tinto da região á esperança de uma manhã renascida e ao desejo de voltar breve.

quarta-feira, 14 de julho de 2010

Espero encontrar-te um dia...

Dizem que o coração consegue guardar as tristezas indefinidamente. Não creio. Hoje elas transbordaram do meu peito com violência. Se o peito é aquele sitio onde a alma repousa, se o peito é aquele lugar que sangra de saudade, então ele hoje bate de tristeza. Faz anos que te perdi minha mãe, numa tarde de quarta-feira, nas asas de uma borboleta voas-te para lá do paraiso. Nesse dia perdi a noção do tempo. Fixei o olhar no céu á procura do rasto luminoso que de certo marcou a tua viagem. Em vão. Deu-me vontade de chorar...mas os olhos ficaram vazios. Tirei os olhos do céu num derradeiro esforço de vislumbrar o caminho ou o novo lugar para te encontrar. A morte é estupida é má, porque só leva quem faz falta, e que falta me ficas-te a fazer minha mãe. Quando me recolho nos meus pensamentos penso muitas vezes em ti. Vejo-te á janela a olhar a lua. Continuo a sentir os teus lábios a cantar-me canções de embalar naqueles noites dificeis de insónia. Ai minha mãe como eu adorava as tuas canções. Sinto muitas vezes que andas por aqui a abraçar-me quando me deito ou a aconchegar-me a roupa da cama quando está frio e levares a mão á boca num beijo de depedida quando a luz se apaga. Mãezinha sinto tantas saudades. Sinto saudades do sorriso... do teu olhar. Tu era a minha estrela do mar que orientava o meu caminho, tu eras o meu sol que me trazia a aurora em cada dia. Já passaram uns anos depois do nosso último encontro, mas hà momentos que nos ficam para sempre, que guardamos no segredo e em silêncio. São só nossos...meus e teus. Hoje continuo a acreditar que a tua força, a tua intuição, a tua crença me ensinaram a trilhar os caminhos que fizeram de mim o que hoje sou. Hoje vejo-te sempre a sorrir caminhando numa nuvem branca num céu azul. Mesmo que a vida me leve por muitos caminhos, espero um dia me voltar a cruzar contigo.....porque te continuo a amar minha mãe.

terça-feira, 13 de julho de 2010

Belem e o mar de mãos dadas


Em Belem o mar e o céu dão as mãos no horizonte, para se voltarem a abraçar para cá das margens.Belem onde o silêncio dos mangais se confunde com o barulho das vendedoras em Ver-o-Peso. Belem de mil cores e imensos sabores. Belem do forte onde os portugueses deixaram a marca da sua passagem e onde a Senhora da Nazaré abençoa a gente que trabalha e luta por uma vida digna. Porta do Amazonas, em Belem se escuta em cada rua em cada praça o som das palavras cantadas pelos poetas. Paragem obrigatória, nas Docas bebe-se uma cerveja ao cair da tarde esperando pelas noites claras e as manhãs tranquilas.Depois escuta-se em cada passo a musa que canta para nos levar a Ver-o-Peso.E aí misturando o cheiro salgado que vem do mar com os cheiros de mil misturas e de mil pregões, as vendedoras dos chás e dos caça-maridos, espiam-nos pelo canto do olho enquanto estudam a melhor forma de nos vender de tudo para tudo. Ver-o-Peso a misteriosa, cheia de histórias e de desejos,onde tudo se aprende e tudo se compra. Quando batem as 13 horas chegou a hora do pato no tucupi e do tacaca, do açaí e dos sucos naturais deliciosos para depois rumar cidade dentro até á Catedral da Senhora da Nazaré e assistir á maior prova de devoção que alguma vez assistimos : O Cirio da Nazaré. Para milhares de peregrinos é a altura para pagar promessas e agradecer os milagres alcançados. O Círio é um conjunto de rituais que mobiliza toda a população. A procissão é o evento principal. Mais de um milhão e meio de pessoas, comprimidas ao longo das ruas numa impressionante manifestação de fé. À noite o arraial, altura para mil juras de amor e o divertimento. Belem tem muitas formas e muitas cores mas só um segredo, o desejo do viajante de voltar.

Amar na Amazónia


De olhos fixos na rua vejo a chuva cair de encontro ás vidraças da janela. Os pingos caiem numa sucessão serena e sincopada cada vez mais fortes cada vez mais intensos...cada vez mais belos. Parecem as baguetas do baterista num ritmo de bossa nova. Para lá do rio, algures entre o Tapajós e o Amazonas o arco iris dá as boas vindas á noite. è uma sensação de tranquilidade que não tem explicação. É inverno na amazónia. A mata revigora-se, e os animais matam a sede, a vida faz-se vida.É tempo do caboclo na sua sabedoria intuitiva que foi cultivada com tempo e sabedoria se recolher interiormente com o Divino e acertar com esta terra prometida a proxima jornada. Faz sentido. A mata funciona para todo o mundo aqui como fonte inspiradora e catalizadora. Esta região provoca alucinações maravilhosas como uma droga de amor que nos leva de asas brancas a sobrevoar todo o imaginário. Cinco séculos depois dos portugueses aqui terem chegado devo estar a reparar nas mesmas árvores, no mesmo rio, na mesma paisagem deslumbrante. Direi até que provavelmente os pingos de chuva são os mesmos.É gatificante ver aqui como as novas gerações sentem o prazer de descobrirem cada momento do revigoramento da natureza.É fácil aqui combinar a natureza com o amor, porque cada passo que damos no musgo verde da floresta é como se ela toca-se no mais íntimo da nossa alma beijando-nos com magia e encanto. A amazónia excita-nos.

Serra da Lua


Levantámo-nos hoje bem cedinho. O sol já queima em Monte Alegre e sente-se a maresia que o rio deixa no ar. O destino de hoje é a Serra da Lua. O Alonso ultima os preparativos e o Nelsi como sempre dá as ultimas instruções. Um homem descalço de bermuda encostado ao reboco das paredes da igreja observa-nos e a Rosa como sempre apaparica-me com mais um docinho. A ordem é subir ao onibus improvisado pois a aventura vai começar. Todo o grupo ta animado apenas a Rose parece ainda dormir de olhos abertos.Parecemos um grupo daquelas pessoas felizes que vemos nos filmes americanos das tardes de domingo na Globo.O movimento da camioneta na areia branca do caminho faz uma borboleta bater as asas e pousar-me involuntáriamente entre os olhos. As sombras das árvores da mata projectadas no caminho fazem lembrar as imagens fantasmagóricas dos duendes dos contos de menino. À medida que avançamos as palavras são insuficientes para descrever o encantamento.o Elno no banco traseiro brinca com os dedos da namorada enquanto os seus olhos percorrem os dela á procura de desejos comuns. O tempo vai passando diferente para cada um de nós. A Néia recem operada vai junto ao Alonso no banco da frente. É ela que recolhe as imagens. Todas as imagens que se movem á nossa frente em tons esverdeados, até mesmo as pedras a quem o vento e a areia deram movimento e forma. E num momento é como se o mundo parasse e deixa-se de fazer sentido face ao deslumbramento do que vemos. Por todo o lado colocadas na pedra mensagens que nos falam de vivências passadas. De outro mundo que existiu.Chegamos ao "Pilão" no topo da serra. Um unorme bloco de granito suspenso nas alturas onde apenas só Deus sabe porque ele não cai marca o fim do nosso destino. A paisagem é indiscritivel. Aqui no alto onde a natureza conversa diáriamente com Deus o silêncio apenas é alterado pelo som do vento que nos aconselha a cerrar as palperas sobre os olhos e interiorizar cada segundo...cada minuto da nossa vida. Aqui no alto, onde a beleza tem a forma de um coração, aqui onde os espiritos aconselham ao recolhimento tudo é perfeito. É hora de regressar. Pelo caminho tempo ainda para retemperar forças e conhecer a caverna da onça. Chegámos a Monte Alegre já o sol beijava o rio. O Kauan correu para os meus braços e eu prometi um dia voltar ao "Pilão" para sonhar de novo.

Como o Monte é Alegre


É uma coisa bem estranha. Derrepente sentimo-nos em casa a milhares de kilómetros de distância da terra que nos viu narcer. Monte Alegre bem no meio do Pará, nas margens do Gurupatupa é uma ilha encantada. O sol aqui é o do meu Alentejo. O verde das mangueiras junto ao meu apartamento dão um ar poético á minha varanda. E como é fácil comer uma manga bem docinha. Basta estender a mão. Os dias cheios de sol e luz e as noites com luares de prata convidam a prolongadas passeatas. Ver o rio do miradouro da cidade alta e a paisagem que se disfruta é como um banquete de iguarias. O montalegrense é alegre, canta e dança o brega e o carimbó com energia, briga com o vizinho com mestria, seduz com arte, embebeda-se com paixão e ama o rio do fundo do coração. O pôr do sol em Monte Alegre é tão violento e belo como as tempestades. Conversa fiada dirão. Mas sei do que falo. Quando o marasmo do dia a dia me enjoa, subo á cidade alta ou vou namorar as margens do rio. Beber uma cerveja e conversar com o Frei Miguel, um alemão enorme com uma pronúncia bem caracteristica, é a melhor forma de ajudar a passar o tempo nas noites quentes de Outubro. E quando nos recolhemos ouvindo o vento falar com as árvores até que o sono nos obrigue a fechar os olhos depois de contar ao silêncio os segredos do meu dia a dia, sentimos que cumprimos mais uma jornada. Regresso á realidade de outro dia a ouvir os pássaros e a sentir a aragem do rio acariciar-me o rosto. Quando um dia vierem ao Pará não deixem de visitar esta terra tranquila onde num raio de poucos kilómetros hà rio e hà montanha, hà paisagens de cortar a respiração, lugares poéticos para lavar a alma. Monte Alegre é um paraiso. È necessário saber respira-lo para saber ama-lo pra toda a vida.

segunda-feira, 12 de julho de 2010

Soneto de Amor

Não me peças, palavras nem baladas,

Nem expressões,nem alma...Abre-me o seio,

Deixa cair as pálpebras pesadas,

E entre os seios me apertes sem receio.


Na tua boca sob a minha, ao meio,

Nossas linguas se busquem, desvairadas...

E que os meus flancos nús vibrem no enleio

Das tuas pernas ágeis e delgadas.


E em duas bocas uma língua... unidos,

Nós trocaremos beijos e gemidos,

Sentindo o nosso sangue misturar-se.


Depois...abre os teus olhos, minha amada!

Enterra-os bem nos meus; não digas nada...

Deixa a vida exprimir-se sem disfarce!


José Régio

sábado, 10 de julho de 2010

Aquela primeira noite no colégio

A noite caiu aos poucos. Dentro das quatro paredes enormes do velho convento começou a fazer-se silêncio.Estendido na cama,em cima dos velhos lençois de pano crú e de olhos vermelhos de tanto chorar pensava quanto a minha vida estava mudar. As sombras projectadas na velha aboboda da camarata e os sons provenientes do corredor não eram artificíos que própriamente me acalmavam o coração e me transmitiam segurança. Tinha perdido o pai e a mãe tinha sido internada no hospital. O beijo de adeus da avó na tarde daquela quarta-feira sombria foram duros demais para que consegui-se deixar de pensar. Eram altas horas da madrugada quando finalmente o cansaço venceu e adormeci. O sono não foi calmo os pesadelos acompanharam-me durante toda a noite e só o estridente trinar da campainha me fez saltar da cama num pulo. Que susto. O vigilante gritava aos quatros ventos que queria todos na fila dentro de 10 minutos.Minha santa mãe como era isso possivel. Tinha sete anos. Nunca me vestira sózinho..e...e como lavava os dentes em tão pouco tempo?. Desesperei...aliás chorei de novo. Uma voz grossa me chamou de novo á realidade. Era o vigilante me transmitindo um recado que de absurdo me pareceu uma sentença de morte. Dentro de 5 minutos o barbeiro do colégio mandava para a lixeira da cidade os caracois do meu cabelo. Era o princípio de 10 anos de uma nova vida. Estava passada a primeira noite do meu percurso de formação como homem.