segunda-feira, 12 de julho de 2010

Soneto de Amor

Não me peças, palavras nem baladas,

Nem expressões,nem alma...Abre-me o seio,

Deixa cair as pálpebras pesadas,

E entre os seios me apertes sem receio.


Na tua boca sob a minha, ao meio,

Nossas linguas se busquem, desvairadas...

E que os meus flancos nús vibrem no enleio

Das tuas pernas ágeis e delgadas.


E em duas bocas uma língua... unidos,

Nós trocaremos beijos e gemidos,

Sentindo o nosso sangue misturar-se.


Depois...abre os teus olhos, minha amada!

Enterra-os bem nos meus; não digas nada...

Deixa a vida exprimir-se sem disfarce!


José Régio

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