sábado, 10 de julho de 2010
Aquela primeira noite no colégio
A noite caiu aos poucos. Dentro das quatro paredes enormes do velho convento começou a fazer-se silêncio.Estendido na cama,em cima dos velhos lençois de pano crú e de olhos vermelhos de tanto chorar pensava quanto a minha vida estava mudar. As sombras projectadas na velha aboboda da camarata e os sons provenientes do corredor não eram artificíos que própriamente me acalmavam o coração e me transmitiam segurança. Tinha perdido o pai e a mãe tinha sido internada no hospital. O beijo de adeus da avó na tarde daquela quarta-feira sombria foram duros demais para que consegui-se deixar de pensar. Eram altas horas da madrugada quando finalmente o cansaço venceu e adormeci. O sono não foi calmo os pesadelos acompanharam-me durante toda a noite e só o estridente trinar da campainha me fez saltar da cama num pulo. Que susto. O vigilante gritava aos quatros ventos que queria todos na fila dentro de 10 minutos.Minha santa mãe como era isso possivel. Tinha sete anos. Nunca me vestira sózinho..e...e como lavava os dentes em tão pouco tempo?. Desesperei...aliás chorei de novo. Uma voz grossa me chamou de novo á realidade. Era o vigilante me transmitindo um recado que de absurdo me pareceu uma sentença de morte. Dentro de 5 minutos o barbeiro do colégio mandava para a lixeira da cidade os caracois do meu cabelo. Era o princípio de 10 anos de uma nova vida. Estava passada a primeira noite do meu percurso de formação como homem.
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