terça-feira, 13 de julho de 2010

Serra da Lua


Levantámo-nos hoje bem cedinho. O sol já queima em Monte Alegre e sente-se a maresia que o rio deixa no ar. O destino de hoje é a Serra da Lua. O Alonso ultima os preparativos e o Nelsi como sempre dá as ultimas instruções. Um homem descalço de bermuda encostado ao reboco das paredes da igreja observa-nos e a Rosa como sempre apaparica-me com mais um docinho. A ordem é subir ao onibus improvisado pois a aventura vai começar. Todo o grupo ta animado apenas a Rose parece ainda dormir de olhos abertos.Parecemos um grupo daquelas pessoas felizes que vemos nos filmes americanos das tardes de domingo na Globo.O movimento da camioneta na areia branca do caminho faz uma borboleta bater as asas e pousar-me involuntáriamente entre os olhos. As sombras das árvores da mata projectadas no caminho fazem lembrar as imagens fantasmagóricas dos duendes dos contos de menino. À medida que avançamos as palavras são insuficientes para descrever o encantamento.o Elno no banco traseiro brinca com os dedos da namorada enquanto os seus olhos percorrem os dela á procura de desejos comuns. O tempo vai passando diferente para cada um de nós. A Néia recem operada vai junto ao Alonso no banco da frente. É ela que recolhe as imagens. Todas as imagens que se movem á nossa frente em tons esverdeados, até mesmo as pedras a quem o vento e a areia deram movimento e forma. E num momento é como se o mundo parasse e deixa-se de fazer sentido face ao deslumbramento do que vemos. Por todo o lado colocadas na pedra mensagens que nos falam de vivências passadas. De outro mundo que existiu.Chegamos ao "Pilão" no topo da serra. Um unorme bloco de granito suspenso nas alturas onde apenas só Deus sabe porque ele não cai marca o fim do nosso destino. A paisagem é indiscritivel. Aqui no alto onde a natureza conversa diáriamente com Deus o silêncio apenas é alterado pelo som do vento que nos aconselha a cerrar as palperas sobre os olhos e interiorizar cada segundo...cada minuto da nossa vida. Aqui no alto, onde a beleza tem a forma de um coração, aqui onde os espiritos aconselham ao recolhimento tudo é perfeito. É hora de regressar. Pelo caminho tempo ainda para retemperar forças e conhecer a caverna da onça. Chegámos a Monte Alegre já o sol beijava o rio. O Kauan correu para os meus braços e eu prometi um dia voltar ao "Pilão" para sonhar de novo.

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