
Conhecer Montemor-o-Novo, percorrendo lentamente as suas ruas é como sentir o cheiro das papoilas neste Alentejo de sofrimento e esperança. Nos tortuosos caminhos do velho burgo sentem-se imperceptivelmente os cânticos dos monges e, os odores das receitas das freiras dos velhos conventos. É aqui nas manhãs claras de um sol que acaricía que se descobre a cor singela do casario que o castelo protege. É aqui na serenidade do tempo que marca o quotidiano de gente de mãos cálidas que se constroi o presente e se desafia o futuro. È com o cheiro da manhã e as lágrimas do tempo que subimos ao castelo. Sentem-se solidões antigas em cada carreiro que nos leva ao Palácio dos Alcaides. Fervilham no nosso imaginário os amores e desamores de princesas mouriscas. Só a beleza da paisagem que se vislumbra aqui de cima nos faz voltar á realidade. Descer as escadinhas que nos levam ao Largo das Palmeiras é voltar a sentir essa melodia de luz que em cada passo enebria e seduz. As palmeiras abanam ao sabor do vento acenando ao céu como anjos guardiãs do largo e indicando-nos os caminhos do povoado e a beleza do conjunto arquitectónico. Pedras plantadas no passado que o homem moderno preserva e acarinha. Da Rua Nova ao Parque Urbano onde na serenidade das fontes se fazem juras de amor nas noites de luar até ao raiar da madrugada. Caminhando sob os ramos dos platanos e no silencio de cada passo a Ermida da Senhora da Visitação surge como Cavaleira da Luz perscutando no horizonte os caminhos que terminam no seu regaço. Dali somos obrigados a desocultar odores e aromas certamente vindos das rosas plantadas em seu redor. Montemor lá em baixo fervilha e nós aqui apetece-nos ficar até ao misterioso entardecer dos deuses. O pôr do sol começa a encher a planicíe. E de novo nas ruas que nos levam á baixa da cidade sente-se a primavera nas janelas floridas. A luz do velhos candeiros de metal projectam nas paredes as primeiras sombras de uma noite de lua cheia. Lua que nos espreita serena e luminosa encaminhando-nos aos sabores de mil pratos que a gastronomia alentejana sempre festeja quem a visita. E por fim brindamos com um tinto da região á esperança de uma manhã renascida e ao desejo de voltar breve.
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