quinta-feira, 4 de abril de 2013

Quero continuar a amar-te

Agora quero guardar memórias antes que me escorram das mãos. Quero abraçar-me ao lençol macio em que me deito todas as noites. Quero sentir a falta que me define e que por vezes se desprende como um ramo pequeno mais débil , caindo de uma mangueira frondosa. Quero sentir o sol da madrugada deslizar até ao meu rosto e sentir a tua mão aveludada enxugando-me as lágrimas quentes. Quero continuar a ser o par deste oeste que trabalha, canta e ri e que marca o compasso da brisa primaveril que vem do rio, despertando-me do sono profundo em cada madrugada. Quero beber a seiva que escorre fluida e morna em cada linha da pele invisível que me veste a alma. Quero continuar a saborear a chuva e o rio em cujo leito tanto viajei sentindo os seus movimentos perpétuos e curvilíneos, qual bailarina que ama o sol mas seduz a lua. Quero continuar a procurar as horas, os dias e os meses á velocidade dos meus passos nus no calçadão da orla. Quero continuar a abrigar-me debaixo dos ramos daquela mangueira frondosa, forte e imponente capaz de agüentar a fúria repentina de uma tempestade de vento mais violenta. Quero esquecer a pele que se despiu da luz aparente que me aquecia a alma sufocando-me em estilhaços de vidro. Quero numa palavra, continuar a amar-te Santarém

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