quinta-feira, 4 de abril de 2013

Rio Tapajós

Nesta quietude serena onde nostalgias e segredos percorrem o nosso imaginário. Nesta estrada de água de curvas tentadoras, onde os meus olhos se perdem no labirinto do infinito, venho muitas vezes ver o raiar da aurora e deixar no vento da saudade uma lágrima. É neste cenário que o meu corpo é lavado pela manhã com pingos suaves de orvalho e a minha alma se adorna com mil luzes perdendo-se nos abraços com a espuma branca das ondas. Ao mirar esta imensidão de águas límpidas imagino quantos versos se construíram aqui pensados com fios de suor e juras de amor. É aqui que muitos lábios se prendem murmurando baixinho palavras doces de encantar. Quantas vezes nas suas margens, qual pescador de sonhos, procuro interpretar as palavras perdidas neste rio sem dono e, criar nos meus pensamentos um jardim de mil cores. Quantas vezes fico inebriado com o movimento das ondas se desfazendo na margem em bolhas cintilantes, fazendo-me recordar a cor dos teus olhos. Abracei-me a este rio numa qualquer madrugada suave quando aqui cheguei. Agora, todas as manhãs, vou a teu lado ver se chegam os meus sonhos e, nesse dia, talvez consiga voar.

Nenhum comentário:

Postar um comentário