terça-feira, 9 de abril de 2013

o Silêncio

Estava escuro. Senti-me envolto em fios de algodão, em teias de aranha, em musgo de rio e sol. Queria respirar e não era capaz. Fechei os olhos e deixei-me conduzir. As imagens percorreram o meu pensamento como um bailado. E é nesse silêncio que olho o mundo velado, sem nuvens, sem céu azul, sem pulsação para lá do infinito. Esperei não sei quanto tempo. O tempo suficiente para que chega-se alguém e leva-se de mim o nada que me compõe e deixa-se lá o resto de coisa alguma. É naquele momento que descubro a vida numa lágrima, sentindo-me um cavalo alado sem rédeas, sem freio, sem destino, partindo num suposto barco de ardores. Apetece-me falar. Mas que direi agora que o meu corpo quer gritar, que os meus braços doem, que as minhas pernas se desmancham?. Tento gritar mas os gritos não saem. Algo me afronta a garganta. De imediato projetei mil e uma imagens, e, esta dor que trago comigo rasga-me a pele e os sentidos. A lágrima não cai, a pálpebra não fecha. Levo a mão ao peito e acho um vazio invulgar. Pelo tempo que por mim passou sinto o coração frio, e os pés gelados. Sou transportado no imediato para um momento, uma memória. Demasiadas memórias que ardem. Subitamente a chama que dança no escuro aquece as paredes do meu quarto do hospital parecendo chorarem como pássaros sem asas. Quebra-se o sonho. Nessa noite á um mistério para guardar. A renovação da própria vida. E porque a lua hoje vai ser grande demais para o céu o meu deserto de mar vai ser cativo na solidão. Vou poder sorrir de novo. Há como me sabem bem o fresco dos lençóis no peito e o brilho da lua refletido no chão.

Nenhum comentário:

Postar um comentário